-A A +A
Laboratório do Núcleo de Logística em Transportes

Ufes e Rede Gazeta realizam seminário para debater a mobilidade urbana em Vitória

O seminário “E aí, vamos de bike?” marca a continuidade do projeto, da parceria entre a Ufes e o Gazeta Lab e institui o Selo Empresa Amiga da Bike

Marina Ratton

 Marina Ratton.

O seminário “E aí, vamos de bike?debateu a importância do uso da bicicleta nas cidades como meio de transporte alternativo. No evento, foram expostos os primeiros resultados do grupo Mobilidade Urbana composto pelos Laboratórios de Pesquisas e Projetos - LPP -  e o Laboratório do Núcleo de Logística em Transportes - LabNuLT - da Ufes em parceria com o Laboratório Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Novos Produtos e Ideias da Rede Gazeta - o Gazeta Lab.

Durante seis meses, alunos e professores da Ufes desenvolveram propostas para a mobilidade urbana em Vitória. O resultado do estudo aponta que a capital do Espírito Santo é ótima para pedalar, mas ainda levanta questões como: incentivo, infraestrutura e o respeito aos ciclistas.

Um levantamento feito pelo Gazeta Online - site da Rede Gazeta - revelou que na população de Vitória: 40% usam carro particular, 35% transporte público, 14% bicicleta, 7% moto e 4% caminham. Os dados mostram ainda que 73% dos ciclistas fazem parte da população ativa; e que 58% são homens e 42% mulheres. O debate teve a presença de alunos e professores da Ufes, de profissionais do Gazeta Lab, do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), da cicloativista, Ana Carolina Costa e convidados.

O evento, aberto ao público, ocorreu no dia 23 de agosto, no auditório da Rede Gazeta. Foto: Marina Ratton

 

Sobre o projeto: E aí, vamos de Bike Bike?

Equipe do projeto "E aí, vamos de bike?". Foto: Marina RattonO objetivo da primeira etapa da pesquisa foi identificar as potencialidades e problemas para a mobilidade alternativa na cidade de Vitória, a partir da percepção dos usuários, priorizando o deslocamento a pé e com bicicleta - meios que colaboram para a melhoria no trânsito e na qualidade de vida da população.

O grupo Mobilidade Urbana é composto pelos professores: Cristina Engel, Paulo Vargas e Marta Cruz; - pelos alunos: Cláudia dos Santos Pereira, Jordano Francesco Gagno Brito, Miguel Carvalho, Juliana Amaral Dias Vieira, Malena Ramos Silva, Suelem Bertollo, Yulli Ribeiro Mapelli; - e pela servidora e arquiteta Renata Cerqueira do Nascimento Salvalaio.

Como resultado da pesquisa foram elaboradas duas cartilhas: 1) Cartilha para o ciclista: com dicas de segurança, de uso e benefícios da bicicleta, trazendo ainda o mapa cicloviário da cidade de Vitória. 2) Cartilha para a empresa: esta mostra os benefícios para a equipe, o que pode ser feito em termos de infraestrutura e de políticas institucionais; e em anexo, traz uma lista de requisitos para a empresa garantir o selo “Empresa Amiga da Bike”.

Na foto, equipe do projeto "E aí, vamos de bike?". Foto: Marina Ratton.

Selo Empresa Amiga da Bike

 
 Letícia Siller - Divulgação Gazeta OnlineNa abertura do seminário, a Rede Gazeta e a Ufes assinaram um termo em parceria para a distribuição do selo: “Empresa Amiga da Bike”. O título é concedido às empresas que apresentam condições de incentivo para que seus funcionários usem bicicleta no caminho entre a casa e o trabalho. “Estamos muito felizes com essa parceria e esperamos construir muito mais nesse laboratório da Rede Gazeta”, declara a vice-reitora da Ufes, Ethel Maciel.

Em Vitória, doze empresas foram analisadas quanto ao incentivo ao uso de bicicletas. A diretora de Transformação da Rede Gazeta, Letícia Lindenberg e a vice-reitora da Ufes, Ethel Maciel, premiaram três delas com o selo Empresa Amiga da Bike”: Vale, Technip e Lorenge.

Para obter o selo, a empresa interessada deve apresentar políticas de incentivo ao uso de bicicletas com infraestrutura adequada. Dos dez itens, no mínimo sete devem ser atendidos. A solicitação é feita à Rede Gazeta, acompanhada do check list preenchido - anexo à Cartilha para Empresas - memorial descritivo da empresa e fotos que comprovem os dados informados. A validade do selo Empresa Amiga da Bike será de um ano podendo ser renovada.

Foto: Letícia Siller. Divulgação Gazeta Online

Mobilidade Urbana

Na foto, a professora da Ufes, Marta Cruz e seu aluno da Engenharia Civil, Miguel Carvalho.

 
Apresentar condição necessária às pessoas para realizarem suas atividades no ambiente urbano. Permitir o acesso da população para realizar suas atividades e deslocamento. Estes conceitos referentes à mobilidade urbana e acessibilidade devem existir juntos, para diferentes atores: população, empresas e poder público. “Desde 2015, plano de mobilidade passou a ser requisito para se receber recursos federais destinados à mobilidade urbana, em todos os municípios acima de 20 mil habitantes”, aponta a engenheira civil, professora da Ufes e orientadora do projeto no Laboratório do Núcleo de Logística e Transportes - LabNuLT -, Marta Cruz. 

A mobilidade urbana sustentável pode ser pensada em três dimensões de infraestrutura, considerando pedestres, ciclistas - que integram o transporte não motorizado - e transporte público. Ainda segundo a professora da Ufes, para o transporte por bicicleta, são importantes os conceitos de espaço compartilhado, de ciclovia, ciclorrotas, ciclofaixas de lazer e operacional, de paraciclos e bicicletários”, diz Marta. Conceitos abordados nas cartilhas elaboradas durante as pesquisas. Em Vitória, um projeto sustentável oferece bicicletas compartilhadas como opção de transporte sustentável e não poluente.

Na foto, a professora da Ufes, Marta Cruz e seu aluno da Engenharia Civil, Miguel Carvalho.

Bike Vitória

Mapa cicloviárioO projeto Bike Vitória foi pensado para introduzir a bicicleta como meio de transporte público saudável e sustentável, melhorar o trânsito e a poluição, combater o sedentarismo e introduzir práticas de lazer com a humanização do espaço público no ambiente urbano. As bicicletas do projeto Bike Vitória estão disponíveis em estações distribuídas em pontos estratégicos da cidade. “Atualmente o sistema possui 20 estações, 200 bicicletas para a população e já realizou mais de 264 mil viagens”, destaca a professora da Ufes, Marta Cruz.

O Bike Vitória colaborou para a queda da violência no trânsito, ampliação de áreas de lazer e para o respeito mútuo entre ciclistas, motoristas e pedestres. O prefeito, Luciano Rezende, aposta ainda na ampliação de mais dez estações do projeto, sendo três delas infantis. Ele explica que processo de implementação do Bike Vitória, ocorreu após três licitações desertas que levaram às empresas Unimed e Sicoob a financiarem a iniciativa. “A expansão atual também tem o patrocínio dessas empresas e ainda será feita a licitação para banheiros, chuveiros e vestiários”, afirma o prefeito da capital capixaba, Luciano Rezende.

 

Políticas Públicas

O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) com a equipe do projeto. Foto - Letícia Siller. Divulgação Gazeta Online

O seminário também discutiu as melhorias na mobilidade urbana em obras públicas já concluídas e ainda previstas para Vitória. O prefeito, Luciano Rezende (PPS), acredita na urbanização 

do trânsito priorizando a bicicleta e o transporte coletivo, lembrando que a maioria dos trechos não chegam a 5 km. “Nós não temos saída se a gente for atrás de automóvel. Nos próximos dez anos, a cidade vai ter que ir para aquaviário, bicicleta, ônibus, vans, Uber, taxi, ela vai ter que tirar os automóveis da rua”, ressalta.

Apesar das políticas públicas serem realizadas e trazer melhorias para a mobilidade urbana na capital, existe ainda um conflito na compreensão da importância de voltar uma cidade para o transporte por bicicleta num mundo que prioriza o automóvel. O prefeito Luciano Rezende comenta que “no final de 2012 existia quase uma luta entre skatistas, patinadores e corredores no calçadão de Camburi”. A situação, que envolveu até o Ministério Público, foi solucionada pintando uma linha amarela no calçadão: de uma lado skate e patinadores e do outro, pedestres. “Trânsito é pacto”, opina. “Começamos a panfletar. O respeito foi gradativo, e hoje, quase 100% das pessoas respeitam”, ressalta.

O arquiteto urbanista e administrador público, Miguel Ostoja Roguski, que atua no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, foi convidado para o evento e apresentou as propostas do plano de mobilidade urbana na cidade. Ele destacou que desde 1977 são feitas políticas públicas para o uso de bicicletas na capital do Paraná. Já o plano de ciclovias em Curitiba foi implantado em 2010, e considerou também a parte de lazer.

Segundo o arquiteto, “a gestão 2013-2017 deu uma atenção maior ao cicloativismo e apoiou o transporte não-motorizado”. Desde 2016, um processo de licitação para implantar um sistema de bicicletas públicas compartilhadas está em andamento na cidade. “O projeto abrange a área central de Curitiba num raio de 2,5 km, com 43   estações que visam atender 208 mil pessoas, em 18 bairros da cidade”, explica Miguel Roguski. O uso da bicicleta elétrica, uma prática atual, também já está incluída nesta proposta de mobilidade urbana para Curitiba. “O desafio principal é fazer que a população motorizada possa conviver com as   bicicletas”, opina o arquiteto.

 

O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) com a equipe do projeto. Foto - Letícia Siller. Divulgação Gazeta Online

 

Programa de incentivo nas empresas

Cada vez mais, as empresas buscam mesclar suas práticas às ações de sustentabilidade ambiental. Exemplo disso, é o estímulo ao uso da bicicleta como meio de transporte para os funcionários noO Gerente de suporte operacional da Vale, Komatsu Braga, é premiado no evento. Foto - Letícia Siller. Divulgação Gazeta Online. percurso entre a casa e o trabalho e também para locomoção e\ou lazer dentro dos espaços institucionais. No seminário “E aí, vamos de Bike?”, a Vale, mineradora  multinacional, apostou na iniciativa e recebeu - ocupando o primeiro lugar - o selo Empresa Amiga da Bike em Vitória-ES.

O gerente de suporte operacional da Vale, Komatsu Braga, explicou que as campanhas foram feitas visando saúde, segurança e bem-estar de seus funcionários. “A Vale colocou em dez, dos 38 pontos de ônibus circulares existentes dentro da mineradora, bicicletas ergométricas com mensagens de incentivo”, exemplifica o gerente. Outra medida da mineradora foi realizar campanhas de conscientização com dicas de segurança, manutenção, sinalização e condução das bicicletas. Também ocorreu a distribuição de kits de farol para bikes e barras de cereal na saída dos refeitórios da multinacional.

Os investimentos em infraestrutura foram em torno de 112 mil reais na portaria de Camburi e 50 mil em Carapina, que ainda não apresentou demanda para instalação de vestiário, segundo o gerente  Komatsu Braga. “A Vale instalou em 2014 o bicicletário na portaria do Jardim Camburi - com 300m²; em 2017 foi feita a reestruturação do bicicletário da portaria de Carapina - com 285 m²; com capacidade para 350 bicicletas”, revela o gerente de suporte operacional da Vale.

O Gerente de suporte operacional da Vale, Komatsu Braga, é premiado no evento. Foto - Letícia Siller. Divulgação Gazeta Online.

 

Cicloativismo

 Marina Ratton. Outra convidada do seminário “E aí, vamos de Bike?” foi Ana Carolina Costa. Ela é formada em Enfermagem e atua como cicloativista em Vitória. Ela apresentou dados da Abraciclo -  Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares -  que mostram

 que a frota supera a casa dos 70 milhões de bicicletas e o Brasil é o quarto maior produtor mundial com cerca de 3,5 milhões de unidades - excluindo brinquedos -; ficando atrás da China, Índia e Taiwan. 

A cicloativista apresentou no seminário os desafios da ciclomobilidade no cotidiano. ”Os ciclistas e pedestres são as partes mais vulneráveis das vias públicas”, afirma. A expansão econômica da última década favoreceu o crescimento da indústria automobilística. “Os usuários de transporte não-motorizado, como os ciclistas, acabou sendo excluídos do desenho das cidades modernas”, opina Ana Carolina .

De acordo com a Polícia Federal (PF), em 2016 as colisões frontais responderam por 29% das vítimas no ano passado, seguidas pelos atropelamentos de pedestres (18,2%). Condutores ou passageiros de motocicletas foram 17,8% dos mortos e 4,1% eram ciclistas. “Todos os dias os ciclistas passam por situações de risco com veículos motorizados e a gente não vê a lei sendo aplicada”, diz a cicloativista, Ana Carolina, se referindo às leis de proteção aos ciclistas. Segundo a Lei nº 9.503 de 23 de setembro de 1997 do Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 201: “Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta: Infração: média; Penalidade: multa.

Cicloativista, Ana Carolina Costa, debateu os desafios da ciclomobilidade. Foto: Marina Ratton. 

Taxa de letalidade de ciclistas

 

Um caso que repercutiu no Espírito Santo foi o de Danilo Simões, ciclista, jornalista e membro do PSB no estado. Ele morreu atropelado por uma caminhonete Toyota Hilux preta. acidente aconteceu em 29 de agosto de 2015, na Rodovia Audifax Barcelos Neves, na Serra. “Esse é um dos desafios: a gente conseguir que as leis que possam proteger o ciclista sejam aplicadas”. O resultado esperado é uma mudança de cultura na população, mostrando que é a via pública dá para ser compartilhada. O Gazeta Online lançou um caderno especial sobre o assunto.O  seminário foi patrocinado pela Unimed, Sicoob e Armazém Bikes e Acessórios.

 

 

 

 

Tags: 
Transparência Pública
Acesso à informação

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Fernando Ferrari, 514 - Goiabeiras, Vitória - ES | CEP 29075-910